
Eu joguei as tuas roupas pela janela do meu apartamento, queimei algumas de nossas fotos que foram reveladas, apaguei tuas mensagens, tuas chamadas e o teu número no meu celular - mesmo eu sabendo-o de cor e salteado-, coloquei no lixo a pulseira de aniversário de namoro que você tinha me dado e que por sinal eu nunca tinha usado. Te xinguei, gritei contigo no supermercado lotado de gente, bati no teu carro, te joguei um sapato de salto na cara, quase cuspi no teu rosto e nas tuas tentativas fracassadas de se desculpar comigo. E depois simplesmente disse olhando nos teus olhos que não te amava mais, que queria que tu sumisses da minha vida o mais cedo possível, que um novo amor eu já tinha encontrado e que era para tu seguir o teu rumo que o meu eu já estava seguindo, pura mentira, mas tu como um idiota que és acreditaste e pelo o incrível que pareça fez o que eu pedi sem nenhum resquício de teimosia. Acreditaste e foi viver a tua vida, seguir o teu rumo como eu tinha dito, enquanto eu paguei de idiota e li mais de dez livros sem prestar atenção em uma única frase se quer, por que na realidade naquele momento em pensamentos, eu implorava diante lágrimas que tu batesses na porta aos berros dizendo que ainda me amava apesar de todo esse tempo, eu implorava para que tu ainda estivesses me amando do mesmo jeito que eu ainda te amava. E apesar de eu não ser o tipinho de garota que se derrete por qualquer coisa, que chama o namorado de amor e gosta daqueles momentos-fofo-babacas, eu te queria, eu queria estar com a cabeça encostada do teu peito ouvindo o teu coração bater forte, depois do sexo. Eu queria ouvir a tua voz sussurrando bem baixinho em meu ouvido qualquer besteira melosa que me fizesse rir, eu queria poder brigar contigo novamente por ciúmes, eu queria tu bem do teu jeito imaturo sem nenhuma mudança comigo ali de qualquer jeito, rindo, chorando, me incomodando, me xingando... E eu ainda quero. Ainda espero. Ainda sonho com esse dia, por que amor é amor, não é mesmo? Eu ainda espero até mesmo por que quando o Sol nasce a minha esperança de te ter aqui também nasce e renasce novamente, cada dia mais forte, cada dia corroendo um pouco mais de mim, mas eu não me importo. Eu espero. Eu espero até dar coragem de eu ir bater na tua porta e fazer tudo o que eu quero que tu faças seu idiota, por que a falta que tu anda fazendo é mais sufocante que esse meu orgulho imbecil. (Vitória, desprender-me)

“Era um tipico feriado ensolarado, as crianças corriam para lá e para cá brincando no parque, as mães gritavam para tomarem cuidado e não sujarem a roupa, arrumei a saia de meu vestido na espera de Filipe que havia ido comprar sorvete para nós, o mesmo não demorou muito a chegar, estava com um sorriso lindo em seu rosto, inevitavelmente sorri para ele também e ele sentou-se ao meu lado no banquinho, era engraçado o quanto Filipe era perfeito, ele conseguia deixar-me em êxtase de alegria apenas estando comigo, ele me fazia bem só de existir, as vezes chegava a me questionar sobre o quão perfeito ele era para ser meu namorado, tinha minhas duvidas sobre ele realmente existir, ele era bom demais, podia ser apenas uma invenção da minha mente zoada para não me deixar sozinha — sempre fui meio anti-social — eu não era o tipo de pessoa que normalmente alguém como o Filipe escolheria como namorada, ele era bom demais para mim..
“ — Sabe, eu quero me casar com você, podemos ter um filho como tu sempre quis, quero lhe ver acordar todos os dias, eu quero morar com você, Lívia.
Disse Filipe interrompendo meus pensamentos e fazendo com que eu voltasse minha atenção só para ele, não pude evitar de sorrir, ele sempre era tão gentil.
“ — Como você acha que vai ser quando você morar junto comigo?
“ — Não sei como te dizer… Mas acho que não iria te deixar sair da cama pelo menos por uma hora ao acordar, que iria ficar te atormentando quando quisesse ficar concentrada em alguma coisa— Nós dois demos risada revivendo uma cena que já era comum em nosso dia á dia — Iria te morder e te irritar só para depois ver você ficar bravinha e agarrar-lhe. Eu iria chegar em casa após um dia de trabalho, tu estaria deitada no sofá e eu me aproximaria devagar e pularia em cima de ti para matar toda a saudade do dia. Ia acordar mais cedo sempre que soubesse que tu está cansada ou doente para montar o café para ti, iria sair agarrado contigo na rua para todo mundo ver como minha mulher é linda… Te enxeria de beijos na frente de seus pais só para tu ficar constrangida e teu pai com raiva de mim — Foi inevitável conter o riso, ficamos rindo por alguns minutos, ele abraçou-me e puxou-me para mais perto dele então continuou a falar — E iria te tratar como uma princesa que é o que tu merece — Após ouvir tais palavras meus olhos começaram a ficar marejados e não pude conter o sorriso que se formava em meu lábio, ele suspirou e terminou — E iria fazer de tudo para arrancar esse sorriso lindo de ti todos os dias.Algumas lágrimas já caiam, sempre fui meio chorona, acho que Filipe já estava acostumado quanto a isso, aproximei-me o máximo possível dele, desejando que o tempo pudesse parar, para ser só eu e ele, eternamente nós. Comecei a tagarelar com uma voz ridícula e chorona.
“ — Eu iria te abraçar o tempo todo e quando estivesse brava ou com ciumes ficaria chatinha e cruzaria os braços, eu ficaria sem ter o que fazer quando você estivesse fora trabalhando e olharia o relógio o tempo todo na esperança de que assim o tempo pudesse passar mais rápido para você chegar. E quando tu viesse para cima de mim após o serviço eu iria reclamar só para fazer charme mas estaria amando tudo… Quando você estivesse me desconcentrando eu mandaria você parar e ficaria aparentemente brava, contudo não iria conseguir parar de sorrir e rezar para que não me deixe ficar concentrada. E na hora que viesse me agarrar porque eu estou brava eu já não estaria mais brava e não iria querer soltar você depois. — Apesar da vista embaçada pelas lágrimas não pude deixar de perceber que ele estava sorrindo e involuntariamente sorri também, deitei minha cabeça em seu ombro e terminei — E iria sorrir toda vez que você estivesse sorrindo, porque você arranca todos os meus sorrisos só de existir.
Filipe olhou-me nos olhos, sorriu e beijou-me. Ele não disse nada e eu também não, o nosso silêncio nos confortava, ele parecia satisfeito com a resposta e eu também. Não precisávamos falar mais nada, não precisávamos de mais nada além de um ao outro, ele era exatamente o que eu queria e eu era exatamente o que ele queria, nosso amor já era o bastante.” — Maggie Marques, Coleciona(dor)DeAmores

Então olhei pra trás e vi todo o caminho que havia percorrido. Vi o que me fez mal e o que me fez bem, a felicidade e a tristeza, os sorrisos e as lágrimas. Mas também vi as pessoas, muitas indo embora, e outras que até hoje estão ao meu lado. Vi promessas sendo feitas e que jamais foram cumpridas. Claro, depois de ver e rever tudo o que já passou, a saudade veio, assim como esperava. Então ao ouvir uma música, veio ainda mais lembranças, principalmente de momentos felizes. Lágrimas brotaram em meus olhos, e não consegui segura-las, então começaram a deslizar livremente em meu rosto, e deixei-as ali, sem me importar. E apesar do tempo que passou, os melhores momentos eu não guardo em fotos, guardo-os em minha memória, em meu coração. (Roberta Lima)